Musée de la Romanité na cidade de Nîmes

Data de publicação

Abertura ao Público Dia 2 de Junho de 2018

© Stéphane Ramillon – Cidade de Nîmes

Importante complexo da cultura romana, ao mesmo tempo museu inovador, jardim arqueológico e espaço de vida, o Musée de la Romanité de Nîmes é o maior evento arquitetural e cultural contemporâneo na França para o ano de 2018.

Suas coleções arqueológicas exceptionais contêm 25.000 peças, das quais aproximadamente 5.000 são apresentadas em 9.200 m². Elas convidam para uma experiência histórica única através de 25 séculos de história graças a uma museografia imersiva e interativa.

UMA ÁREA ÚNICA
Em frente às Arenas de Nîmes, o Museu fica às margens do bairro do Ecusson, no centro histórico da cidade. Abrangendo os vestígios da muralha romana, ele se posiciona sobre a coluna vertebral do lugar, antigo limite entre a cidade medieval e a cidade moderna. Sobre esses vestígios se justapõem vinte séculos de camadas urbanas e incontáveis fragmentos de arquitetura. Esse é o patrimônio exceptional da cidade de Nîmes.

© Agência Elizabeth de Portzamparc

Como que elevado em meio às testemunhas do passado, o museu é concebido como a porta de um percurso urbano através de uma série de aberturas urbanas e de um enquadramento de perspectivas, os tesouros do patrimônio romano e também da arquitetura moderna construída ao redor são valorizados. Os eixos e conexões criados entre as ruas e as praças adjacentes oferecem uma grande permeabilidade urbana e novos trajetos pela cidade.

© Serge Urvoy

UM MUSEU ABERTO PARA A CIDADE
O edifício se organiza em torno de uma rua interior que segue os traços da antiga muralha augusteana. Acessível a todos, essa passagem pública cria uma abetura visual e liga o átrio das Arenas ao jardim arqueológico. Ao atravessar o térreo do museu, totalmente transparente, os visitantes e outros passantes são convidados à descoberta. em seu centro, um átrio de 17 m de altura revela um fragmento do propileu do Santuário da Fonte, numa reconstituição espetacular desse lugar sargado que data da fundação da cidade pré-romana. Essa restituição pública inédita convida à descoberta das coleções e de todo o museu.

Essa passagem também possibilita o acesso à livraria do museu, ao café e ao restaurante La table du 2, com sua vista magnífica para as Arenas, mantido pelo Chef Franck Putelat, 2 estrelas no guia Michelin por seu restaurante Le Parc em Carcassonne.

Graças às aberturas dispostas sobre a fachada, ganham-se inúmeros pontos de vista sobre as Arenas e sobre o jardim arqueológico. Ao longo dos espaços de exposição, mantém-se um diálogo constante entre a museografia e o exterior, fazendo com que a cidade entre no museu.

A CRIAÇÃO DE UM DIÁLOGO ARQUITETURAL
O Musée de la Romanité vai além da simples função da exposição: ele foi criado como uma porta para a compreensão da cidade e da sua história. De maneira mais ampla, ele oferece uma leitura excepcional da marca da civilização romana no Mediterrâneo.

A escolha de um gesto arquitetural contemporâneo face a um monumento, como no caso do Carré d’Art há alguns anos, inscreve o museu na tradição de Nîmes. O museu traz um novo ponto de vista para a praça e para a curva das Arenas: sua leveza, frente à massividade, cria um diálogo arquitetural forte entre dois edifícios separados por dois mil anos de história.

AS FACHADAS: UMA PROTEÇÃO PARA AS COLEÇÕES DO MUSEU
As fachadas são o toque final de uma construção e possuem uma dupla função prática e de identificação. Elas são o cartão de visita de um edifício e transmitem seus valores. Situado na entrada da cidade antiga, o museu deixa transparecer as Arenas a partir da rua da République através do seu andar térreo transparente: ele anuncia o espetáculo, atrai e surpreende. O drapeado suave da fachada evoca a toga romana e os quadrados de vidro que a constituem conjugam a transparência moderna e a tradição de uma arte romana de grande importância: o mosaico. Ela evoca com grande sutileza elementos fundamentais das coleções do museu. Essa “pele” de vidro translúcido se compõe de aproximadamente 7.000 lâminas de vidro serigrafadas que cobrem uma superfície de 2.500 m². Os reflexos e ondulações desse mosaico de vidro se mudam de acordo com os diferentes momentos do dia. Obra dentro de outra obra, a fachada proporciona reflexos cinéticos, variações sutis de reflexos de acordo com os ângulos, as inclinações, os relevos, que acentuam seu movimento e a metamorfoseiam constantemente com o passar das horas e das estações, criando um diálogo com a cidade ao refletir as cores, a luz e a vida ao redor.

© Nicolas Borel

O TERRAÇO & O JARDIM ARQUEOLÓGICO
O terraço não estava previsto no programa do concurso. Ele foi criado por Elizabeth de Portzamparc como ponto culminante do percurso ascendente do museu. Ele finaliza a visita proporcionando um mirante sobre a cidade de Nîmes e seus 21 séculos de Histoire, com as Arenas em primeiro plano, e ao longe a torre Magna, que data da fundação da cidade. Espaço público acessível a todos e ponto de encontro, essa “praça alta” eleva o espaço urbano e o faz entrar no museu.

Instalado ao redor da muralha romana e de outros vestígios descobertos durante as escavações, o jardim arqueológico foi pensado como um “museu vegetal”. Todos os trços da história foram preservados e restaurados, e serão acessíveis gratuitamente a todos os visitantes e transeuntes.
Esse espaço vegetal público de 3.500 m² pensado por Régis Guignard se estrutura em três camadas que correspondem aos grandes períodos – gaulês, romano e medieval – do percurso da museografia, enriquecendo e completando assim o conteúdo científico e trazendo uma grande coerência. Na sequência sobre a agricultura, pode-se ver pela janela do museu a parte referente à agricultura urbana instalada no jardim. Para cada nível, árvores, arbustos e plantas vivazes foram escolhidos em função da sua época de introdução, segundo as trocas, as influências e ocupações.
Além do seu mérito científico, o jardim arqueológico oferece um novo espaço de natureza dentro da cidade para os visitantes e transeuntes. Totalmente aberta, a parcela do terreno é conectada diretamente com a malha urbana adjacente:os acessos que conectam a rua Ducros à rua da République permitem atravessá-lo como um espaço público. Ele torna-se então um ponto de passagem e de encontros, criando um novo espaço de convivialidade urbana. Ele pode também ser um ponto de partida para a descoberta do museu e das suas coleções.

PROGRAMA
Concepção e construção do Musée de la Romanité
Museografia – Jardim arqueológico

ÁREA DO MUSEU
9.100 m²

CLIENTE
Cidade de Nîmes

ARQUITETURA – MUSEOGRAFIA
Elizabeth de Portzamparc

Gabinete:

ELIZABETH DE PORTZAMPARC